Concerto selvagem de violinos furiosos e guizos de cascavel.
O violoncelista, lunetas azuis, fraque roxo, esbarra licenciosamente na pata esquerda dianteira do rinoceronte. Uma mosca azul e olhos tristes pousa primeiro no grande candelabro.
A menina de fita azul claro em laços e saiotes brancos, sentada na primeira fila, dois olhos atentos em tudo. Masca chicletes cor de rosa contrabandeados do carroceiro em frente ao Teatro. Em sobressalto, corre em desabalada carreira. Em ato contiguo, todas as crianças a acompanham, em um estouro de boiada humana infantil, engrossada pelos petizes desvalidos de todas as calçadas, provocando convulsões sociais e destruição de patrimônio na avenida principal da cidade.
Alheio a tudo, preocupa-se o rinoceronte com a mosca azul agora em seu chifre, que fora lustrado esta manhã só para a ocasião. Nem liga para o estrondo.
Nas pontas das unhas e com toda delicadeza, cuida para não pisar em nenhum dos violinos abandonados ao chão pelos músicos em fuga para verificar seus carros cujos alarmes dispararam à passagem da boiada.
Há dois quarteirões dali, a cascavel atravessa na faixa dos pedestres, no sinal verde para ela.